Tarifaço do Trump: Como afeta a economia e o comércio brasileiro.

Desde o início de mandato do presidente Donald Trump, tivemos muitas instabilidades dentro da economia global. Esse ano além das incontáveis tarifas, também tivemos a guerra comercial entre as duas maiores potências do mundo: Estados Unidos e China, abalando completamente o comércio exterior e economia.

Não podemos fingir que não está acontecendo, no dia 1º de agosto de 2025 as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderão entrar em vigor na economia brasileira. Tarifas essas comunicadas no dia 09 de julho de 2025, a partir de uma carta feita pelo Donald Trump justificando a porcentagem da tarifa e os motivos para um valor tão desconexo com a tarifa dada a outros países.

Carta anexada:

https://static.poder360.com.br/2025/07/Carta-Trump-Brasil-portugues.pdf


Para o desespero de muitos, tanto empresários como pessoas físicas, neste domingo (20/07/2025) o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, deixou bem claro a posição do país em relação a taxa de 50% imposta no Brasil. O secretário não só desmentiu rumores uma suposta negociação entre países, como também disse que todas as taxas impostas pelos estados unidos entrarão em vigor na data prevista pelo anúncio, 01 de agosto de 2025.

“Em 1º de agosto, as novas alíquotas tarifárias entram em vigor. Nada impede que os países conversem com a gente depois da data, mas eles vão começar a pagar as tarifas em 1º de agosto”, Howard diz tentando justificar e defender que as tarifas pagarão o déficit econômico americano. “Estamos defendendo os Estados Unidos”.

O discurso dos Estados Unidos sobre as tarifas impostas para outros países sempre partem do pressuposto que é uma forma de ajudar a economia de seu país, que já é uma grande potência. O Congresso Brasileiro não estava pronto para uma intervenção tão imediata, muito menos que colocariam uma taxa de 50%, isso vem tirando o sono de muitos que estão tentando entender o motivo por trás dessa taxação. Porém, não vamos nos precipitar porque o Brasil não é o único sofrendo com essas mudanças econômicas em um cenário que já está bem instável, países aliados com os Estados Unidos como Reino Unido que já negociou com os EUA algumas vezes desde o começo das taxações. A pergunta que fica é: Isso já está causando um efeito negativo nas economia global? Mesmo sendo óbvia a resposta, entender quem irá sair mais prejudicado, poderá de certa forma dar uma clareza maior em um momento como esse.

Recessão do mercado econômico.

Como já sabemos, a taxa dos Estados Unidos para o Brasil é de 50%, até o momento, envolvendo todo produto importado do Brasil. Sim, todo produto, sem exceção ou diferenciação. O Brasil é um dos maiores exportadores de commodities do mundo e temos esse título há muitos anos já que sempre tivemos conexões com países grandes, como por exemplo, o próprio Estados Unidos que grande parte de sua exportação de suco de laranja vem do Brasil.

Bebidas e alimentos: café e suco de laranja, o Brasil é responsável por cerca de 30 % do café e 73 % do suco de laranja importados pelos EUA;

Carnes bovinas: o imposto eleva a tarifa sobre a carne bovina brasileira para aproximadamente 76 %, impactando hambúrgueres e carne moída;

Indústria aeroespacial: como a Embraer, que exporta cerca de 63 % de sua produção de aviões para os EUA;

Madeira, celulose e papel: cerca de 40 % das exportações brasileiras desses produtos vai para os EUA;

Máquinas, motores e eletrônicos: os EUA recebem cerca de 60 % das exportações brasileiras desses itens;

Petróleo e minérios: embora menos impactantes, também entram na lista. O petróleo representa 13 % das vendas ao mercado americano.

Todos esses mercados mencionados serão os que mais irão sofrer com essa tarifa, indústrias, comércios e muitos outros produtos/serviços irão sentir o impacto, seja diretamente ou indiretamente. Por esse motivo, muitos estão preocupados com um futuro próximo, já que ao que tudo indica nada irá mudar e seguiremos nesse caminho de taxações trazendo uma nova preocupação para a estabilidade do mercado.

A única questão é que a tarifa de 50% não prejudica apenas o mercado financeiro brasileiro, mas também, a economia americana.

“É difícil conceber uma ação que o governo Trump possa tomar na relação EUA-Brasil que seja mais prejudicial à credibilidade dos EUA na promoção da democracia do que sancionar um juiz da Suprema Corte de um país estrangeiro por não gostarmos de suas posições jurídicas”, disse uma autoridade do Departamento de Estado americano, segundo o Washington Post.

Essa semana (21/07/2025) saiu uma matéria dizendo como alguns jornais estadunidenses estavam pontuando a tarifa como algo ruim para a política estadunidense, foram respostas anônimas mas que reviraram as notícias já que muitos jornalistas se posicionaram de forma conflitante com a situação atual do EUA. A verdade é uma: O Brasil é tão importante para os Estados Unidos, quanto o Estados Unidos são para o Brasil. O desfecho de toda essa situação é incerta no momento, ainda estamos recebendo notícias todos os dias sobre as decisões tomadas de ambas as partes e isso acaba assustando muitas pessoas que estão aguardando ansiosamente o fim. Porém, em uma entrevista recente, 20 de junho de 2025, dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ele disse com todas as palavras que não estamos lidando com uma guerra comercial, porque só estaremos quando o Brasil revidar a tarifa dos Estados Unidos.

Brasil e Estados Unidos mantêm uma das relações comerciais mais relevantes do continente. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os EUA foram o segundo maior parceiro comercial do Brasil em 2024, ficando atrás apenas da China. Somente em 2023, a corrente de comércio entre os dois países somou US$ 88 bilhões, de acordo com a Embaixada dos EUA no Brasil.

Em resumo, a imposição da tarifa de 50% pelo governo Trump não é apenas uma questão comercial: ela revela uma complexa teia de interesses econômicos, ideológicos e diplomáticos que afeta diretamente o presente e o futuro de empresas e governos. O clima atual é de incerteza. Com declarações contraditórias, pressões internas nos EUA e a cautela adotada pelo Brasil, o que vemos é uma espécie de impasse, onde nenhum dos lados deseja escalar o conflito, mas ambos mantêm posições firmes. Para empresas brasileiras que operam no comércio exterior, o momento exige planejamento, cautela e atenção às movimentações políticas internacionais. A diversificação de mercados, a revisão de contratos internacionais e o reforço da logística de exportação são medidas que podem mitigar riscos enquanto não há uma resolução.

O futuro ainda é muito incerto e sem grandes esperanças de uma resolução, mas estaremos aguardando o decorrer e como o mercado irá reagir a essa nova tarifa quando estiver já em êxito, tudo o que nos resta é acompanhar os próximos passos de ambos os países.

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