Vivemos em uma era marcada pela tecnologia, onde a comunicação é instantânea, o acesso à informação é ilimitado e a interação digital muitas vezes substitui o contato físico. A Geração Z, composta por jovens nascidos entre meados dos anos 1990 e o início dos anos 2010, cresceu nesse ambiente hiperconectado. Mas será que essa conexão constante com o digital está custando caro em termos de habilidades humanas fundamentais?
Uma das maiores preocupações é a perda da empatia e da capacidade de se relacionar de forma profunda com o outro. As conversas por mensagens, cheias de emojis e abreviações, nem sempre substituem um olhar atento, uma escuta ativa ou um gesto de carinho. Para muitos jovens, lidar com conflitos cara a cara ou simplesmente manter uma conversa prolongada sem o auxílio de uma tela tornou-se um desafio.
Além disso, há uma dificuldade crescente em manter o hábito da escrita. Com a preferência por conteúdos curtos, como vídeos de poucos segundos e mensagens rápidas, muitos jovens demonstram menos paciência e habilidade para desenvolver textos mais longos, coesos e bem estruturados. A escrita, que exige reflexão, organização de ideias e domínio da linguagem acaba sendo substituída por frases fragmentadas, gírias e abreviações. Isso impacta não apenas a comunicação formal, mas também a capacidade de argumentar, expressar sentimentos com profundidade e registrar pensamentos de forma clara.
Outra habilidade que parece estar em declínio é a paciência. Acostumados com a gratificação imediata dos aplicativos, vídeos curtos e entregas rápidas, muitos membros da Geração Z demonstram dificuldade em lidar com processos demorados, frustrações e até com o tédio — algo que, paradoxalmente, é essencial para a criatividade e o autoconhecimento.
Além disso, há um impacto na comunicação interpessoal. Embora estejam sempre “conectados”, muitos jovens se sentem mais à vontade expressando-se por texto do que verbalmente. Isso pode prejudicar desde apresentações em público até entrevistas de emprego e relacionamentos mais íntimos.
No entanto, é importante evitar generalizações. A Geração Z também é inovadora, sensível a questões sociais e mais aberta a discutir saúde mental do que as gerações anteriores. A questão não é condená-los, mas refletir sobre como podemos equilibrar o uso da tecnologia com o resgate de habilidades humanas essenciais — como escuta, empatia, paciência, criatividade, escrita e comunicação genuína.
Em um mundo onde o digital não para de evoluir, talvez o maior desafio da Geração Z seja justamente esse: manter-se humana.
