Aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) afeta o mercado financeiro.
A mudança repentina do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) tem sido uns dos assuntos mais discutidos da semana, porque essa mudança não atinge apenas a logística como um todo, mas também nosso cotidiano.
O IOF é um imposto federal que incide sobre operações financeiras. Ele serve como instrumento de política econômica, permitindo ao governo regular a economia, controlar a inflação e equilibrar as contas públicas.
Câmbio (compra e venda de moeda estrangeira);
Crédito (empréstimos, financiamentos, cheque especial, cartão de crédito);
Seguros (contratação de apólices);
Investimentos (ações, fundos, títulos e outros valores mobiliários).

Ele serve basicamente para controlar a economia e impacta diretamente a entrada e saída de dólar no país, ou seja, controla indiretamente a importação e exportação.
Decreto nº 12.467 (23/05/2025)
Com o novo decreto, as alíquotas do IOF foram ajustadas da seguinte forma:
Operações de câmbio: A alíquota foi unificada em 3,5% para diversas transações, incluindo compras internacionais com cartões de crédito, débito e pré-pago, aquisição de moeda estrangeira em espécie e remessas ao exterior sem finalidade de investimento. Anteriormente, essas operações tinham alíquotas de 1,1% ou 3,38%, dependendo da natureza da transação .
Crédito para empresas: A alíquota anual do IOF/Crédito para pessoas jurídicas foi elevada de 1,88% para 3,95%. Para empresas optantes do Simples Nacional, a alíquota passou de 0,88% para 1,95% ao ano .
Seguros: Foi instituída uma alíquota de 5% sobre aportes mensais superiores a R$ 50 mil em planos de seguro de vida com cobertura por sobrevivência, como o VGBL .
Imagine que uma empresa brasileira precisa importar máquinas dos Estados Unidos. Para isso, ela precisa comprar dólares, como trocar reais por fichas em um cassino internacional. Essa troca (o câmbio) vem com um “pedágio”: o IOF.
Nesta sexta-feira (23/05/2025) entrou em vigor o novo aumento do IOF que assustou algumas empresas porque até então, não se esperava o aumento do IOF. Essa mudança é como aumentar o peso da bagagem sem avisar os viajantes. Para empresas que operam com margens apertadas, cada ponto percentual extra vira um peso na planilha e no planejamento financeiro.
Até recentemente, o plano do governo era reduzir esse pedágio até 2028, para tornar o Brasil mais competitivo lá fora. Mas agora, o governo abriu mão desse plano e decretou o aumento nesta última quinta-feira (22/05/2025).
As alterações no IOF têm implicações diretas nas operações de importação e exportação:
- Importações: Empresas que necessitam adquirir moeda estrangeira para pagar fornecedores internacionais enfrentarão custos mais elevados devido à alíquota de 3,5% sobre operações de câmbio. Isso pode encarecer produtos importados e afetar a competitividade das empresas brasileiras no mercado interno.
- Exportações: Embora as operações de câmbio relacionadas à exportação permaneçam isentas do IOF, empresas exportadoras devem redobrar a atenção à documentação para garantir a aplicação da alíquota zero. Qualquer falha na comprovação pode resultar na cobrança do imposto, impactando a rentabilidade das exportações.
No setor de importação e exportação, a logística funciona como o sistema circulatório de uma economia globalizada. Qualquer aumento de custo no câmbio, mesmo que pareça pequeno, reverbera como um batimento irregular em todo o corpo da operação. Empresas que importam insumos, peças ou mercadorias podem ver seus preços subirem. Exportadores, por sua vez, precisam lidar com mais burocracia para comprovar que suas operações são isentas do IOF, senão, pagam também.
Reações do mercado financeiro.
A elevação do IOF gerou críticas e preocupações no mercado financeiro. Em resposta, o governo recuou em algumas medidas inicialmente propostas. Por exemplo, a alíquota de 3,5% que seria aplicada às transferências de fundos de investimento nacionais para o exterior foi revogada, mantendo-se a isenção para essas operações .
O aumento do IOF é mais do que uma sigla econômica em uma planilha. Ele é um indicador da direção que o governo quer dar à economia, e quem atua no comércio exterior precisa estar com o radar ligado. Se você trabalha com importação, exportação ou transporte, o momento é de atenção total ao planejamento financeiro, à gestão de câmbio e à documentação fiscal. Porque em um mar com ventos incertos, quem navega com estratégia tem mais chances de chegar ao destino.
