Durante décadas, o comércio exterior foi sinônimo de pilhas de documentos: faturas comerciais, conhecimentos de embarque, certificados de origem, licenças, declarações aduaneiras… Tudo impresso, carimbado e transportado fisicamente entre países. Mas esse cenário está mudando rapidamente. A digitalização documental vem transformando a forma como empresas e governos lidam com o fluxo de informações no comércio internacional reduzindo custos, tempo e riscos operacionais. No Brasil, vemos esse movimento crescendo com o passar do tempo e cada vez mais, mudando o cenário de inúmeras empresas.

A digitalização da documentação é um passo natural da modernização do comércio exterior. Sistemas como o Portal Único de Comércio Exterior (Siscomex), da Receita Federal, já eliminaram grande parte dos processos em papel no Brasil. Hoje, declarações de importação, registros de exportação e licenças de operação são feitos inteiramente de forma eletrônica.
De acordo com o Banco Mundial, países que implementam processos digitais de comércio exterior conseguem reduzir o tempo médio de liberação de cargas em até 30% e diminuir custos operacionais em cerca de 20%.
A digitalização traz vantagens que vão muito além da praticidade:
- Agilidade: documentos eletrônicos podem ser enviados e validados em segundos, sem depender de transporte físico.
- Segurança: sistemas de autenticação e criptografia evitam fraudes e perdas de documentos.
- Sustentabilidade: a redução do uso de papel e transporte físico contribui para operações mais verdes.
- Integração: permite que todos os elos da cadeia logística (transportadoras, despachantes, importadores e órgãos públicos) acessem os mesmos dados em tempo real.
Tecnologias como o blockchain estão ganhando espaço no controle documental. Também empresas como Maersk e IBM, já utilizam plataformas baseadas nessa tecnologia para garantir rastreabilidade e autenticidade total dos documentos logísticos. Além disso, o uso de assinaturas digitais com certificação ICP-Brasil tornou possível validar documentos legalmente, eliminando a necessidade de versões impressas. Isso significa que contratos, conhecimentos de transporte e certificados de origem agora podem existir apenas em formato eletrônico.
O Brasil está indo neste caminho?

No começo de 2025, pudemos ver uma mudança que mudou o mercado aéreo brasileiro: O Brasil aboliu os documentos físicos nos processos de carga aérea, utilizando o Conhecimento Aéreo Eletrônico (eAWB). É uma mudança significativa, principalmente para empresas pioneiras que estão se adequando ao mercado e as suas demandas, cada vez mais buscamos a rapidez e eficiência em qualquer serviço, logo é natural que tenhamos que fazer mudanças para entregarmos um serviço de alta qualidade.
“A decisão do Brasil de adotar completamente a documentação digital para o transporte aéreo de cargas é um divisor de águas para o setor. Ao eliminar a papelada desnecessária, estamos promovendo maior eficiência, reduzindo custos e garantindo um futuro mais sustentável para as operações de carga aérea”, afirmou Sérgio Garcia da Silva Alencar, auditor fiscal e coordenador de Operações Aduaneiras da Receita Federal.
O fim da documentação física já é uma realidade, não só dentro do Comércio Exterior como também nas empresas no geral que buscam uma forma mais fácil, ágil e eficiente de guardar seus documentos. O uso de papel dentro do mercado de trabalho é quase nulo comparado a décadas atrás, onde não se existiam outras opções e com a tecnologia que temos hoje em dia, é impossível ignorar os avanços que ela causa dentro das corporações. Esse movimento não é individual do Comércio Exterior, muito menos do Brasil, iremos ter muitas tecnologias novas com o passar dos anos cabe a nós nos adaptarmos ou acabarmos perdendo oportunidades por uma falta de sintonia com o mercado.
