O Porto de Santos é o maior do nosso país, logo, muitas cargas que irão para o Brasil inteiro passa por aqui e quando entendemos isso, grande parte do nosso trabalho é entender como podemos fazer dessa entrega algo rápido, acessível e o mais prático possível. Hoje em dia temos uma acessibilidade muito maior a cidade de São Paulo, por exemplo, o que antes não acontecia por conta da serra e todas as suas características de uma rodovia. Entretanto, mesmo com esse progresso que gera um lucro e uma vantagem grande para as empresas que o porto comporta, ainda assim a situação não está em seu melhor estado. Ainda temos muito para evoluir e muita política pública para demandar.

As rotas que conectam o interior paulista ao Porto de Santos, especialmente o Sistema Anchieta Imigrantes, a Via Anchieta, a Rodovia dos Imigrantes, a Cônego Domênico Rangoni, a SP-150, a SP-055 e a Rodovia dos Bandeirantes/Marginais, concentram grande parte do fluxo de cargas do país.
O problema: alto volume de caminhões, obras recorrentes, acidentes e lentidão em horários de pico. Esses gargalos elevam o tempo de trânsito e geram variação imprevisível nos prazos, o que impacta diretamente a programação dos terminais do porto.
Quando a infraestrutura não acompanha o crescimento da demanda logística, o fluxo fica sujeito a interrupções e aumento de riscos operacionais. Buracos, trechos sem faixa adicional, ausência de acostamento seguro e pontos de retenção reduzem a velocidade média e aumentam o consumo de combustível.
Em operações críticas, principalmente exportação com janela curta de atracação, qualquer atraso na estrada pode comprometer o carregamento no navio, gerar demurrage ou reprogramação no terminal.
A tecnologia é um dos meios mais eficientes para compensar ineficiências estruturais.
Sistemas de rastreamento, telemetria, sensor de fadiga, controle de rota e monitoramento em tempo real permitem:
- Identificar congestionamentos e redirecionar o veículo;
- Acompanhar velocidade média e paradas não programadas;
- Aumentar a segurança e reduzir avarias;
- Antecipar atrasos e ajustar janelas de recebimento nos terminais.
- Transportadoras que operam com informação em tempo real conseguem maior previsibilidade e reduzem custos operacionais.
O Porto de Santos opera com sistemas de agendamento para evitar filas e saturação dos terminais.
O desafio: sincronizar o trânsito rodoviário com a janela reservada no terminal, considerando que imprevistos são comuns no trajeto. Sabemos que grande parte do trajeto Santos e São Paulo é complicado, pela grande rotatividade de trânsito, independente de dia e horário, prejudicando o acesso ás regiões que em sua grande parte dependem que o escoamento seja prático e rápido já que ambas tem muitas demandas.
Para tornar o fluxo rodoviário entre os polos industriais do interior e o Porto de Santos mais eficiente, econômico e confiável, é essencial combinar estratégias operacionais, tecnológicas e de infraestrutura. Pensando nas partes onde essa recorrência é maior, como o escoamento Imigrantes e Anchieta.
Utilizar modelos de previsão para identificar os períodos de pico no porto (por exemplo, janelas de alta movimentação de contêineres) e sincronizar deslocamentos logísticos. Considerando que o Porto de Santos movimentou 5,4 milhões de TEUs em 2024, conforme reportado pela ABTLP, há uma demanda significativa para agendamento eficiente. Importante destacar as soluções que estão abrindo o caminho para essas regiões se encontrarem no meio logístico, há um projeto de nova rodovia no Sistema Anchieta-Imigrantes para ampliar a capacidade de acesso ao porto que foi comunicado no início do ano (2025).
O novo projeto prevê uma terceira pista com 21,5 quilômetros de extensão, juntando a serra paulista com a Baixada Santista. Composta principalmente por túneis, que somam 17 quilômetros, além de mais 4 quilômetros de viadutos. Um dos túneis terá cerca de 6 quilômetros de extensão, sendo então, a maior estrutura desse tipo no Brasil.

“O Sistema Anchieta-Imigrantes recebe um grande fluxo de veículos diariamente e essa demanda cresce ao longo dos anos. Agora estamos dando mais um passo para que essa obra tão importante para o Estado de São Paulo possa ser realizada. Estamos planejando ações estruturais de longo prazo para solucionar gargalos de mobilidade entre a Baixada Santista e o Planalto”, disse o secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini.
Treinar motoristas para adotar práticas de direção mais econômicas (reduzir acelerações bruscas, manter velocidade constante, usar marchas adequadas) pode reduzir o consumo de combustível e o desgaste do veículo. Ajudando na economia, e também no percentual de acidentes no trânsito que ocorrem diariamente no Brasil. Motoristas bem treinados são menos propensos a acidentes e falhas operacionais, especialmente em trechos críticos como a descida da serra e na entrada no porto, onde há um trânsito bem mais intenso e um escoamento complicado.
Implementar essas boas práticas: roteirização baseada em dados, sinergia de cargas, manutenção preventiva, hubs logísticos, treinamento de motoristas e integração sistêmica pode gerar ganhos de eficiência significativos nas rotas entre o interior industrial paulista e o Porto de Santos. Quando combinadas com os projetos de ampliação da infraestrutura portuária e rodoviária (como a terceira pista da Imigrantes ou a nova ligação no SAI), essas estratégias não apenas reduzem custos operacionais, mas também aumentam a previsibilidade, diminuem riscos e melhoram a sustentabilidade da operação logística como um todo.
