O frete rodoviário sofreu mudanças no ano de 2025, tanto em seus valores de mercado como sua funcionalidade. Estamos vendo uma mudança no mercado e isso vem atingindo de formas tanto negativas, como positivas, um serviço extremamente importante para a economia. Atualmente, cerca de 65% do transporte de cargas é feito pelo modal rodoviário, sobrecarregando e dependendo desse modal em especifico. O governo tem tentando há alguns anos mudar esse cenário investindo em ferrovias, hidrovias, etc. Porém, a logística brasileira ainda gira muito em torno do rodoviário e até o agronegócio acaba tendo uma participação rodoviária ainda maior como transporte interno de soja, milho e fertilizantes, por exemplo.

Quais são os custos logísticos?
Os custos dependem de como serão feitos os serviços prestados, o custo depende do modal usado ou da rota utilizada, por exemplo. Segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), os custos logísticos no Brasil atingiram 18,4% do PIB em 2023, o maior patamar em quase uma década.
Desse total, o transporte ainda é um dos principais componentes, mas o destaque foi o aumento nos custos de estoque, impulsionado pelos juros altos e pelo maior volume armazenado.
Ou seja, guardar mercadorias ficou mais caro.
A CONAB estimou a safra 2023/24 em cerca de 298 milhões de toneladas de grãos.
Em períodos de colheita intensa, especialmente entre março e junho, a demanda por caminhões dispara, pressionando os valores de frete. Em alguns casos, o preço do transporte pode subir até 70% em rotas agrícolas de alta demanda.
Esse efeito em cadeia encarece o custo da exportação e reduz a margem de lucro do produtor e do exportador.
O Porto de Santos segue como o principal corredor logístico do agronegócio brasileiro.
Somente em 2024, o porto bateu recorde de movimentação de granéis agrícolas, reforçando sua importância para o comércio exterior.
Mas o alto volume também exige maior eficiência: atrasos operacionais e congestionamentos logísticos podem aumentar custos, atrasar embarques e gerar despesas como demurrage. Enquanto isso, o Arco Norte (portos como Itaqui, Santarém e Barcarena) vem crescendo como alternativa, reduzindo parte da pressão sobre o Porto de Santos.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualiza periodicamente a Tabela de Pisos Mínimos do Frete Rodoviário, mecanismo criado para dar previsibilidade ao setor.
Os valores são reajustados com base em variações do diesel e em mudanças de custo operacional fatores que impactam diretamente o preço final do transporte. Em 2024 e 2025, os reajustes seguiram o gatilho legal de variação acima de 5% no preço do combustível, o que mantém o frete mais estável, mas eleva custos em momentos de alta do diesel.
O preço do frete rodoviário é altamente volátil e influenciado por diversos fatores, incluindo:
1.Preço do Diesel: O combustível representa uma parcela significativa do custo operacional do transporte.
2.Demanda da Safra: Os picos de colheita concentram a demanda por caminhões, elevando os preços.
3.Tabela de Fretes ANTT: A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reajusta periodicamente os pisos mínimos de frete, baseando-se no IPCA e no preço do diesel, buscando dar previsibilidade ao setor.
O Índice de Frete Rodoviário (IFR), serve como termômetro do mercado. Em setembro de 2025, por exemplo, o preço médio do frete por quilômetro rodado no Brasil registrou um recuo parada, após um período de alta. A ineficiência logística interna é o principal fator que retira a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional. O custo logístico para exportar grãos do Brasil é significativamente maior do que o de seus principais concorrentes globais.
O alto custo de transporte interno, dominado pelo modal rodoviário, é o principal responsável por essa diferença. Para mitigar o problema, o Governo Federal tem anunciado planos de investimento, como o Plano de Escoamento da Safra 24/25, com previsão de aplicação de R$ 4,5 bilhões para reduzir os custos logísticos e fortalecer a competitividade. Como alternativa, o crescimento da produção e do escoamento pelo Arco Norte (portos do Norte e Nordeste) tem sido uma estratégia para desafogar os portos do Sul/Sudeste. Contudo, o modal rodoviário ainda é o mais utilizado para levar a carga até esses novos hubs de exportação.
O frete rodoviário e os custos logísticos representam um desafio persistente para a economia brasileira, especialmente no escoamento da safra e na competitividade das exportações. O custo logístico de 18,4% do PIB em 2023, com o transporte respondendo por 9,3%, sublinha a urgência de investimentos em infraestrutura e na diversificação da matriz de transporte. A pressão da safra recorde sobre o frete rodoviário é um ciclo anual que só será atenuado com a melhoria da capacidade de armazenagem e o fortalecimento de modais alternativos, como ferrovias e hidrovias, que hoje representam uma parcela menor do que em países concorrentes.
