Israel X Irã: O COMEX depende do Oriente Médio?

A guerra entre Irã e Israel ganhou destaque nas últimas semanas, foram 12 dias de guerra consecutivos, mais de 600 mortos e incontáveis feridos. O mundo parou a última semana para presenciar o que seria um dos maiores conflitos dessa década e a tragédia não para de ser comentada nas mídias, porém poucos estão falando sobre como esse conflito pode e como já impactou o comércio exterior internacional. Como pode acabar sendo uma das principais causas da falta de commodities (petróleo, por exemplo) em vários países, como o conflito, por enquanto, está estagnado há mais de 24 horas: as bolsas de valores estão voltando a sua estabilidade. Porém até o momento ainda estão aguardando, os países ainda estão jogando ameaças um para o outro e até para os Estados Unidos que acabou se envolvendo em meio ao conflito.

A origem do conflito entre Irã e Israel é antigo e muito mais embasado na história, ao contrário do que muitas pessoas pensam, os países que hoje em dia estão em guerra foram aliados durante muitos anos. Israel e Irã trabalhavam juntos dentro da economia e logística dos países, eles tentavam ao máximo (principalmente o Irã) ter um relacionamento geopolítico aceitável e tranquilo entre os países. Porém, acabou não adiantando muito já que em 1979 os países chegaram ao seu pico de inimizade junto com a Revolução Iraniana.

A Revolução Iraniana é a principal causa histórica de ter separado dois países que antes eram aliados a inimigos mortais, esse movimento que aconteceu entre 1978-1979 foi incentivado entre a população iraniana com o objetivo de derrubar a monarquia secular do xá Mohammad Reza Pahlavi, que além de censura, seu governo era violento se opondo contra todos seus opositores. Dada a Revolução Iraniana, os Estados Unidos e Israel começaram seus conflitos e todos eles com algo em mente: o Petróleo.

Efeito no comércio exterior.

O Oriente Médio foi/é palco de muitos conflitos internos, embora seja uma região conflituosa, uma considerável parte do petróleo mundial depende dessa região. Cerca de 3,9 milhões de barris de petróleo, por dia. Essa é a média de petróleo extraída do Oriente médio diariamente já há muitos anos e obviamente que foi uma das principais causas de tanta repercussão mundial, Israel e Irã estão em “pé de guerra” desde 1979, há conflitos geracionais nesta região há muitos anos mas nunca houve tanta comoção nos últimos anos. Além de todo o conflito comercial entre China e Estados Unidos, que abalou o mercado financeiro mundial, a guerra entre Irã e Israel abalou tanto o mercado financeiro como a população mundial em geral, com o medo iminente de uma possível 3º guerra mundial.

Além de toda a comoção com a guerra entre Irã e Israel, algo deixou a situação muito mais preocupante para os países tanto do Oriente Médio, como todos que dependem do Estreito de Ormuz.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas e importantes do mundo, um quinto do petróleo mundial que sai do Oriente Médio, tem que passar pelo Estreito de Ormuz para chegar nas grandes potências asiáticas, continente Europeu e América do Norte. Para a grande preocupação das grandes empresas, o Estreito de Ormuz fica na região entre o Irã e Omã, o impacto causado pela guerra é completamente interligado com o comércio exterior visto que toda essa região do Oriente Médio é palco de produção de grande parte dos commodities que o mercado global precisa. Esse é o principal motivo para outros países entrarem no conflito, tentando apaziguar, já que se caso a guerra continuasse as consequências financeiras seriam drásticas.

Os impactos financeiros do conflito são, de grande maioria, com foco na produção de petróleo. O Estreito de Ormuz que naturalmente enriquece a região do Oriente Médio e facilita o comércio exterior mundial, já que é uma das rotas mais utilizadas, acaba sendo o alvo da guerra como uma ameaça. Ameaça de fechar o Estreito de Ormuz é uma das cartadas mais primordiais da guerra, e por isso o impacto de uma possível queda do petróleo mundial, alertou tantos países e até portos, como o Porto de Santos. O Porto de Santos sendo uma das maiores potências da América Latina acaba sendo sim, indiretamente, prejudicado por essa decisão. Em entrevista para a CNN, o presidente do maior porto de Santos, disse que “a maioria dos navios que chegam no porto de Santos, não passa por essa região, mas, os impactos serão indiretos e severos na navegação.

“A situação representa um risco real para as cadeias globais de suprimentos, especialmente no que diz respeito à segurança alimentar e à logística internacional”, continuou.


Sua empresa pode ser afetada?

A guerra ainda está acontecendo, mesmo que indiretamente, Israel e Irã estão com as mesmas intenções de quando a guerra começou e os países deixaram isso bem claro quando violaram o cessar fogo que os Estados Unidos propôs para os dois países. Então, se os países ainda estão em clima de guerra, como isso pode continuar prejudicando o comércio exterior? Não sabemos ao certo o futuro, mas sabemos que o momento em que estamos é extremamente delicado para o mercado financeiro, cada passo tem que ser examinado e planejado para que não haja interferências e é exatamente isso o que a indústria de petróleo está fazendo. Não só o marítimo está sendo afetado, como também o transporte aéreo! O entorno Golfo Pérsico está sendo alvo de cancelamentos de voo devido a insegurança, já que a guerra está/estava acontecendo, por meio de mísseis e drones.

Caso sua empresa trabalhe diretamente ou indiretamente com petróleo, as chances dela ser afetada são grandes, mesmo que minimamente. Temos essa consciência depois de entender que dependemos do Oriente Médio para grande parte do consumo de combustível, já que o petróleo extraído nessas regiões são de extrema importância para o consumo de combustível. As transportadoras brasileiras já entenderam que se por acaso, o Estreito de Ormuz seja fechado, elas terão grandes dificuldades para as importações e exportações. O comércio exterior é completamente dependente do combustível, caso isso aconteça, terá um grande impacto na economia brasileiro e os analistas já estão prevendo isso. Fretes mais caros, redução de margem de lucro, longo prazo para transporte devido ao fechamento de uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. Mesmo que falemos isso, pode ter pessoas que ainda acham que o impacto da guerra no Oriente Médio não afete o COMEX nacional, porém um exemplo recente disso, seria: Em 3 de abril de 2024, o Brent ultrapassou os US$ 90 por barril durante picos de tensão no Oriente Médio, com ameaças implícitas de ataques entre Irã e Israel, a cotação chegou a US$ 91,22 no mesmo dia, enquanto se aguardava uma possível retaliação iraniana.

A guerra pode sim afetar a sua empresa, a questão principal é: ela irá voltar? Não temos certeza se a guerra irá se prolongar ou voltar da mesma forma que antes, por isso mantenha-se informado. Canais de comunicação estão sempre falando e noticiando sobre os conflitos no Oriente Médio, tenha atenção não só como cidadão, mas como empreendedor também.

A Correia Transportes agradece sua atenção.

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